Dr Bruno Schneider
Cirurgia que substitui apenas as camadas anteriores doentes da córnea, com Dr. Bruno Schneider — especialista em córnea pelo HCPA, mestrado UFRGS sobre ceratocone e referência em casos complexos no RS.
O transplante de córnea lamelar anterior profundo, conhecido pela sigla DALK (Deep Anterior Lamellar Keratoplasty), é uma técnica moderna que substitui as camadas anteriores e profundas da córnea (epitélio, estroma e Bowman), preservando o endotélio sadio do paciente. É indicado principalmente em ceratocone avançado e em outras doenças que comprometem o estroma corneano sem afetar o endotélio.
A grande vantagem do DALK é a preservação do endotélio do próprio paciente — camada vital que mantém a córnea transparente. Como o endotélio não é trocado, o risco de rejeição cai drasticamente em comparação ao transplante penetrante (tradicional). É uma das evoluções mais importantes na cirurgia de transplante de córnea moderna.
A córnea é uma estrutura transparente formada por 5 camadas, cada uma com função específica. Entender essa estrutura é fundamental para entender por que o DALK é uma evolução tão importante.
No ceratocone avançado e em várias outras doenças do estroma, a doença afeta as camadas anteriores (epitélio, Bowman, estroma) — mas o endotélio do paciente geralmente está sadio. Por que então trocar tudo? O DALK responde a essa pergunta: substitui só o que está doente, preservando o endotélio sadio.
O Dr. Bruno apresenta o universo do transplante de córnea — quando é necessário, como funciona e por que as técnicas modernas (como o lamelar anterior profundo) revolucionaram o tratamento de doenças da córnea.
Agendar avaliaçãoA diferença entre o DALK e o transplante penetrante (tradicional) está em quanto da córnea é substituído. Essa diferença tem implicações importantíssimas para a segurança e os resultados.
Técnica clássica, usada há mais de um século. Substitui todas as 5 camadas da córnea — incluindo o endotélio sadio do paciente. Necessário em casos com comprometimento do endotélio ou quando o DALK não é tecnicamente viável.
Técnica moderna que substitui epitélio, Bowman e estroma — preservando o endotélio sadio do paciente. Indicado em doenças do estroma (ceratocone, distrofias estromais) com endotélio íntegro.
O endotélio é a camada mais "vulnerável" da córnea — sua rejeição é a forma mais grave e comum de rejeição em transplantes. Quando o DALK preserva o endotélio do paciente, elimina-se completamente a possibilidade de rejeição endotelial. Pode ainda haver rejeição das camadas anteriores transplantadas, mas é mais facilmente tratável e raramente leva à perda do enxerto. Esse é o ganho técnico mais importante do DALK.
A cirurgia DALK é tecnicamente desafiadora — exige expertise para separar com precisão as camadas anteriores do endotélio, sem danificá-lo. Tempo: cerca de 60-90 minutos por olho.
Anestesia local (peribulbar) com sedação. Você permanece relaxado e sem dor durante todo o procedimento.
Corte circular controlado nas camadas anteriores da córnea — sem atingir o endotélio. Etapa de máxima precisão.
Técnica de "big bubble" ou camada por camada — para descolar com precisão o estroma da Descemet, mantendo o endotélio íntegro.
Tecido doador (sem endotélio) é suturado sobre a Descemet do paciente — pontos cirúrgicos delicados ao redor do enxerto.
A técnica mais usada hoje para o DALK é chamada "big bubble". Consiste em injetar uma bolha de ar dentro do estroma corneano, próximo à membrana de Descemet — essa bolha separa de forma precisa o estroma do endotélio sadio. É uma técnica que exige alta expertise: feita corretamente, oferece resultados excelentes; em casos em que a técnica não funciona (cerca de 10-20%), o cirurgião precisa converter para penetrante. Por isso, a experiência do cirurgião faz toda a diferença.
O DALK oferece benefícios significativos sobre o transplante penetrante tradicional — sendo a técnica de escolha em doenças do estroma com endotélio sadio.
Como o endotélio do paciente é preservado, não há risco de rejeição endotelial — a forma mais grave de rejeição em transplantes.
Como a câmara anterior do olho não é totalmente aberta, o olho fica menos vulnerável a complicações intraoperatórias e pós-operatórias.
O regime de colírios anti-rejeição (corticoides) pode ser reduzido mais rapidamente que no transplante penetrante.
Recuperação visual gradual, mas com qualidade visual final que pode ser excelente em casos bem indicados.
Como há cicatrização interna preservada (Descemet do paciente), o olho fica mais resistente a traumas em comparação ao penetrante.
Quando bem indicado e realizado, o DALK pode durar décadas — frequentemente mais que um transplante penetrante.
O DALK é indicado para pacientes com doença das camadas anteriores da córnea mas com endotélio sadio. O ceratocone avançado é a principal indicação.
Indicação principal. Pacientes com ceratocone que não respondem mais a crosslinking, anel ou lentes especiais — sem cicatrizes que afetem o endotélio.
Cicatrizes profundas no estroma corneano (após infecções, traumas) que afetam significativamente a visão — desde que o endotélio esteja preservado.
Doenças genéticas que afetam o estroma da córnea (distrofia macular, distrofia granular) — comprometem visão sem afetar endotélio.
Em casos avançados de ectasia pós-LASIK ou outras ectasias, quando o crosslinking não é mais suficiente — endotélio costuma estar preservado.
Condição rara, similar ao ceratocone mas com afinamento difuso. DALK pode ser indicado em casos selecionados.
Para pacientes jovens com ceratocone avançado, o DALK é particularmente vantajoso pela maior durabilidade e menor risco a longo prazo.
O DALK não é viável quando há comprometimento do endotélio ou da membrana de Descemet — porque o sucesso da técnica depende de preservar essas estruturas. Casos específicos: ceratocone com hidropsia (rotura da Descemet), Fuchs associada, ceratopatia bolhosa, falência endotelial. Nesses casos, o transplante penetrante ou endotelial é mais adequado. Em alguns casos, durante o DALK, o cirurgião pode precisar converter para penetrante se houver perfuração da Descemet — por isso a expertise do cirurgião é fundamental.
A recuperação após DALK é gradual e exige paciência — semelhante ao transplante penetrante, mas com algumas vantagens. A presença de pontos cirúrgicos demanda cuidados específicos por meses.
Repouso relativo, uso disciplinado de colírios (anti-inflamatórios, antibióticos). Visão ainda muito embaçada. Acompanhamento próximo.
Cicatrização progressiva do enxerto. Visão começa a melhorar gradualmente. Volta a maior parte das atividades cotidianas.
Visão estabilizando. Início da retirada gradual dos pontos (em alguns casos). Adaptação a óculos ou lentes para refinar a visão.
Estabilização total. Resultado visual definitivo. Acompanhamento contínuo do enxerto. Liberação completa para todas as atividades.
Diferente do transplante endotelial (que não usa pontos), o DALK utiliza pontos cirúrgicos que ficam no olho por meses a anos. Esses pontos não doem, mas exigem cuidados: evitar coçar os olhos, proteger contra traumas, retornar para avaliações periódicas. Em alguns casos, pontos podem ser retirados gradualmente após estabilização (geralmente após 12-18 meses) para refinar a visão e reduzir astigmatismo. Sinais de alerta (dor, vermelhidão, perda visual súbita) devem ser comunicados imediatamente.
Vídeos didáticos sobre transplante de córnea, doação de órgãos e tratamentos específicos.
Quando e como o transplante de córnea entra no tratamento do ceratocone avançado.
Reportagem da RBS abordando a fila de transplante de córnea no Rio Grande do Sul.
A importância da doação de córneas para milhares de pacientes brasileiros.
Agende uma avaliação com o Dr. Bruno Schneider para avaliar se o DALK é a melhor opção para o seu caso. Especialização em córnea, mestrado UFRGS sobre ceratocone e atendimento humanizado em Porto Alegre e Santo Antônio da Patrulha.
